A fenação conserva a forragem pela redução de seu teor de água até uma condição que permita armazenamento com menor atividade microbiana. A qualidade do feno depende da planta utilizada, do estágio de desenvolvimento no corte, das condições climáticas durante a secagem e do armazenamento.

Gramíneas tropicais, incluindo espécies e cultivares de Cynodon, podem produzir feno de boa qualidade quando manejadas corretamente. O artigo histórico descrevia como características desejáveis coloração esverdeada, odor agradável, boa proporção de folhas, maciez e ausência de impurezas ou materiais tóxicos. A avaliação real da qualidade também pode envolver análise bromatológica e condições de conservação.

Planejamento da área

O conteúdo original começava o planejamento pela análise química do solo, correção da fertilidade e escolha da espécie forrageira. Adaptação ao clima e ao solo, produtividade, facilidade de corte e secagem, resistência e objetivo de uso precisam ser avaliados em conjunto. A adubação deve ser definida conforme análise de solo e expectativa de produção.

Feno em formato cilíndrico

Corte

O momento do corte precisa equilibrar produtividade por hectare e valor nutritivo. Plantas excessivamente maduras tendem a apresentar maior proporção de componentes estruturais e menor qualidade nutricional.

A altura de corte também deve respeitar as características da espécie e permitir rebrota adequada. O artigo histórico citava 5 a 10 cm para materiais do gênero Cynodon, mas essa faixa é uma referência e deve ser ajustada à cultivar, frequência de corte e condições da área. Corte excessivamente baixo pode aumentar contaminação com solo e comprometer a rebrota.

Equipamentos bem regulados ajudam a obter corte uniforme e reduzir perdas mecânicas. Como respiração e outras transformações continuam após o corte, eficiência operacional e janela climática são importantes.

Secagem

A secagem é uma das etapas decisivas. Depois do corte, a planta continua respirando e ocorrem perdas inevitáveis. Quanto mais eficiente for a retirada de água, menor tende a ser o período de exposição a essas perdas.

O clima — radiação solar, temperatura, umidade relativa e vento — influencia diretamente a velocidade de secagem. Revolvimento e formação adequada das leiras podem aumentar a uniformidade do processo.

Como a planta perde água

O artigo original detalhava três fases da desidratação. Inicialmente, com os estômatos ainda abertos, a perda de água é rápida. Com o fechamento dos estômatos, a evaporação passa a depender mais da cutícula, da estrutura das folhas e da camada de ar junto ao tecido vegetal. Na fase final, alterações nas membranas celulares permitem que a secagem prossiga até o teor de água compatível com armazenamento.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que estrutura da planta, proporção de folhas e caules, condicionamento, densidade das leiras e clima modificam a velocidade de secagem.

Armazenamento

O feno deve ser armazenado protegido da chuva e da umidade do solo, em ambiente que permita ventilação. Material enfardado com umidade excessiva pode aquecer, desenvolver fungos e perder qualidade. O conteúdo histórico também recomenda limpeza da área, empilhamento estável, inspeções periódicas e rotação do estoque, utilizando primeiro o material armazenado há mais tempo quando sua condição for adequada.

Fardos de feno armazenados

Tipos de armazenamento

Feno enfardado

O enfardamento reduz o espaço ocupado, facilita transporte, movimentação e controle de estoque. Os fardos podem ter diferentes formatos e dimensões conforme o equipamento utilizado.

Durante o armazenamento, recomenda-se evitar contato direto com o solo e proteger os fardos da chuva, mantendo circulação de ar e realizando inspeções periódicas. Paletes ou estruturas elevadas podem ser utilizados quando compatíveis com o sistema. Formato e dimensões dos fardos dependem da enfardadeira; as medidas fixas citadas no texto histórico não devem ser tomadas como padrão universal.

Feno solto e medas

O feno também pode ser armazenado solto em galpões ou em medas no campo. A estrutura deve protegê-lo da água e permitir ventilação.

As medas são montes organizados de feno construídos para armazenamento no próprio local de produção. O conteúdo histórico descreve formação ao redor de um mastro, cobertura resistente à água, drenagem ao redor e controle do acesso dos animais. Também apresentava dimensões e capacidades típicas, mas elas variam com método construtivo, densidade e condições locais.

O armazenamento solto pode facilitar retirada fracionada e reduzir a necessidade de enfardamento, mas exige estrutura, proteção e manejo adequados. Não é correto assumir que sempre ocupe menos espaço ou apresente menos perdas que o feno enfardado: isso depende da densidade, instalação e operação.

Medas utilizadas para armazenamento de feno

Principais perdas

As perdas começam após o corte pela respiração e oxidação dos tecidos. Chuvas durante a secagem podem provocar lixiviação, prolongar o período de campo e aumentar perdas. Também podem ocorrer perdas mecânicas pelo desprendimento de folhas e fragmentos durante o manejo.

No armazenamento, umidade excessiva favorece respiração residual e atividade de bactérias, fungos e leveduras. Chuvas durante a secagem também podem causar lixiviação e prolongar a permanência da forragem no campo. Folhas, especialmente em materiais mais delicados, podem ser perdidas durante revolvimento, recolhimento e enfardamento.

Parte das perdas é inerente ao processo, enquanto outra parte pode ser reduzida por planejamento do corte, previsão de janela climática, regulagem dos equipamentos, rapidez da secagem e armazenamento adequado.

Feno utilizado na alimentação de equinos

A combinação entre corte no momento adequado, secagem rápida e uniforme e armazenamento protegido é essencial para preservar o valor do feno produzido.

O artigo histórico também apresentava uma calculadora de custo de produção de feno da Viver Grass, relacionando o conteúdo técnico ao planejamento econômico. Esse conceito continua relevante: além da qualidade do produto, a decisão de produzir feno deve considerar implantação, fertilização, operações mecanizadas, mão de obra, armazenamento, perdas e logística.

Referências

  • Conservação de forragem: fenação e silagem — Embrapa.
  • Tecnologias para conservação de forragens: fenação e ensilagem — USP.
  • Conservação de forragem: fenação — UNESP.
  • Conservação de Forragens — SENAR/FAEP.
  • Qualidade operacional da fenação: análise do processo de produção.
  • Fenação e ensilagem de plantas forrageiras.
  • Conteúdo técnico histórico do Blog Viver Grass, publicado em 29 de abril de 2024.